Com a época de nidificação em pleno andamento, diversas instituições e comunidades costeiras intensificaram as suas acções para proteção de tartarugas marinhas no México, República Dominicana e Panamá. Os esforços combinam monitoramento de ninhos, educação ambiental, limpeza de praias e vigilância contra o tráfico ilegal para aumentar a sobrevivência de ovos e filhotes.
O fio condutor é o participação socialEquipes técnicas, voluntários e parcerias público-privadas estão trabalhando na praia, enquanto o setor de turismo está adicionando atividades de conscientização e ciência cidadã. Isso é complementado por medidas legais e operacionais que desencorajar a caça ilegal de ninhos e melhorar a governança desses ecossistemas frágeis.
Cozumel reforça vigilância e educação ambiental

A Fundação de Parques e Museus de Cozumel (FPMC) mantém um trabalho contínuo que agrega 38 anos de trabalho em conservação e educação. Nesta temporada, a equipe de Conservação e Educação Ambiental foi responsável por 972 ninhos: 133 tartarugas cabeçudas (Caretta caretta) e 839 tartarugas brancas (Chelonia mydas).
Do Acampamento de Tartarugas de Punta Sur consta que, além do monitoramento, limpeza de praias durante todo o ano para remover resíduos que dificultam a desova. Com a colaboração de 484 voluntários, 2.835,15 quilos de resíduos, um avanço tangível na qualidade do habitat.
Estas ações, sublinha a liderança da FPMC, estão alinhadas com as políticas estatais que integram bem-estar, desenvolvimento e conservação, colocando as tartarugas marinhas como uma espécie emblemática por seu papel nos ecossistemas costeiros da ilha.
Turismo responsável como aliado no Caribe

Há um quarto de século, o Grupo Piñero lançou a Fundação Eco-Bahía com a ideia de que o turismo pode ser motor de conservaçãoFundada no México e expandida para a República Dominicana em 2023, a organização combina monitoramento, proteção de ninhos, educação ambiental e restauração de habitats costeiros e marinhos.
Ao longo da sua história, os seus programas permitiram mais de dois milhões de descendentes chegar ao mar. Só em 2024, cerca de 100.000 pessoas foram protegidas. 100.000 descendentes no México e outros 2.000 na República Dominicana, em coordenação com as autoridades, voluntários e visitantes que participam de patrulhas e atividades interpretativas.
Na RD, a organização protege mais de 50 quilómetros de costa, acompanha o ciclo de vida das tartarugas-de-pente e verdes e, no ano passado, protegeu 15 ninhos com mais de 1.700 solturas. A proposta integra a ciência cidadã por meio do iNaturalist para que turistas e comunidades possam registrar observações da fauna e da flora, contribuindo dados úteis para gestão.
A abordagem foi reconhecida pelo setor: a fundação recebeu o prêmio Prêmio AEHM Viajando pela Felicidade na categoria de preservação da fauna e da flora. Além disso, mais de Clientes 3.000 Participaram em eco-rotas e mais de 7.800 pessoas, entre crianças em idade escolar e visitantes, frequentaram workshops e actividades na região, reforçando a consciência ambiental.
Além das tartarugas, a Eco-Bahía colabora na conservação dos recifes, resgate de vida selvagem e reflorestamento, com alianças que incluem o Ministério do Meio Ambiente e operadores do setor aeroportuárioO roteiro se concentra no turismo responsável e educacional que coloca a sustentabilidade no centro da experiência.
Reforços em outras costas: Mazatlán, Panamá e a luta contra o tráfico

No Pacífico Mexicano, o Operador e Administrador da Praia de Mazatlán informou que, de janeiro até o momento, sua Programa de Conservação compareceu 475 ninhos e 45.787 ovos, com solturas semanais de milhares de filhotes. O monitoramento mensal mostra um aumento no verão: em junho, 15 ninhos (1.515 ovos) foram resgatados, e em julho 113 ninhos (10.701 ovos); em agosto foram contabilizados 340 ninhos com 33.028 ovos incubados, e até agora em setembro 82 ninhos e 7.931 ovos foram garantidos.
O Panamá reforçou o quadro regulamentar com a Lei 371 de 2023, que endurece as sanções contra a comércio e tráfego de produtos de tartarugas marinhas e promove a coordenação entre instituições e comunidades costeiras. O país abriga cinco das sete espécies do mundo, tornando-se o chave para a conservação regional.
Na Universidade Marítima Internacional do Panamá foi realizado o workshop “Homologação de Informações e Fortalecimento de Ações para a Conservação e Gestão do Recurso Tartaruga Marinha”, com mais de 50 representantes entre ONGs, guardas florestais, técnicos e pesquisadores. O objetivo era compartilhar experiências, unificar critérios e alinhar dados de aninhamento, rotas alimentares e migratórias.
O Ministério do Meio Ambiente reconheceu o trabalho de organizações comunitárias e aliados como a Fundação Tortuguias (Punta Chame), Tortugas Pedasí (Playa Lagarto), AAMVECONA (San San, Bocas del Toro), Sea Turtle Conservancy (Praia Soropta), ACOPLAMA (Praia Malena) e a rede Panatortugas, anunciando que mais entidades receberão suas menções por sua contribuição.
A conscientização dos cidadãos é crucial: é enfatizado que as tartarugas Eles não são troféus ou animais de estimação, e que seu consumo ilegal acarreta multas e responsabilidade criminal. Entre as ameaças mais notáveis estão a caça ilegal, poluição plástica, captura acidental e perda de habitat devido ao desenvolvimento costeiro descontrolado.
Em termos de vigilância, em El Cocoyul (San Marcos, Guerrero) foi realizada uma operação conjunta da Polícia Ecológica do Estado, Secretaria da Marinha e da Guarda Nacional prenderam duas pessoas que transportavam 707 ovos de tartaruga marinha sem autorização. Os envolvidos, juntamente com o material apreendido, foram entregues à autoridade competente para eventual crimes contra a biodiversidade.
O quadro geral deixado por estas iniciativas é o de um esforço coordenado: programas científicos, educação ambiental e turismo responsável, somados a limpezas, reconhecimento de organizações locais e medidas de segurança. Com mais ninhos monitorados, ovos protegidos e filhotes soltos, as costas da região caminham para uma conservação mais eficaz que, passo a passo, contribui para a sustentabilidade do futuro das tartarugas marinhas.